Magníficas

“Eu pensei que não fosse conseguir”

Publicado por: rakellaguiar em: julho 14, 2009

Relato de parto do Dante

Quatro dias após o nascimento do Danthe é que eu consigo visualizar tudo pelo qual passei nessas 37 semanas de gestação. Planejei minha gravidez depois que perdi minha mãe, em dezembro de 2007. Sou filha única e a sensação de estar “sozinha no mundo”, mesmo com a presença do meu pai e do meu marido, me fez tomar a decisão que eu estava adiando por motivos profissionais. Sou professora universitária e a pressão para fazer mestrado estava adiando a maternidade. Depois de uma tentativa frustrada de entrar no mestrado da Universidade Federal de Goiás, decidi que era hora de fazer algo para mim e decidimos – eu e meu marido – ter o nosso filho. Isso era julho de 2008.

Esperei até inicio de novembro pra tentar “de verdade” conceber meu filho. Tinha parado de tomar anticoncepcional em julho e esperava uma data oportuna – queria que meu filho nascesse nas férias escolares, pra não atrapalhar o andamento das aulas na faculdade. Nos dias 4, 5 e 6 de novembro, as tentativas começaram e no meu aniversário, 23 de novembro, já tinha em mãos a confirmação da gravidez. Fiz uns seis testes de gravidez depois que minha menstruação atrasou pra saber se tava mesmo grávida. Mas como o tal do BETA só aparece no exame uns dias depois da concepção, a ansiedade teve que esperar.

Os três primeiros meses de gravidez foram tranqüilos. Não enjoava muito, não vomitei, só engordei seis quilos, quando a maioria das grávidas faz é perder peso. Mas a única coisa que eu conseguia comer era pão de queijo e pão… então… Do quarto pro quinto mês, engordei mais oito quilos. Desesperei, chorava, levava puxão de orelha da ginecologista, pensava que iria engordar uns 30 quilos (foram 17). Então procurei uma nutricionista e fui fazer hidroginástica, o que segurou um pouco o peso. Nesse tempo também fiz o curso para gestante oferecido pelo meu plano de saúde, foi quando entrei em contato pela primeira vez com toda a problemática do parto normal x parto cesárea eletiva.

Antes disso, no quarto mês de gestação, uma amiga do trabalho me indicou o acompanhamento de uma educadora física, que também é doula, e faz um trabalho de preparação para parto normal, com exercícios de relaxamento, alongamento, posições pra parto, além de terapia em grupo. Com a Alessandra, pude perceber que a questão do parto normal sempre foi algo natural pra mim, pois a vida toda ouvi minha mãe dizer que tinha feito “parto normal sem dor” (como se fosse totalmente possível rs) e que era um absurdo um marido deixar a mulher sentir dor no parto. Então, na minha cabeça, eu teria um parto normal sem dor… rs.

Durante esse tempo, comecei a ficar meio neurótica com a questão da cesárea desnecessária. Ouvi e lia relatos de mulheres que foram induzidas pelos seus médicos a fazerem uma cesárea por conveniência, muitas vezes mais dos médicos, do que das próprias mulheres. Outras que fizeram cesárea por pressão da família e tantas outras histórias.

Eu não queria fazer uma cesárea por inúmeros motivos: não queria pessoas me ajudando no pós-parto, pois queria que fosse algo mais do meu marido e meu; tinha pavor de pensar que iriam cortar minha barriga e meu útero; sabia de todos os pontos positivos de um parto normal tanto pra mulher quanto para o bebê.

No decorrer da gravidez, ficava sempre com um pé atrás com a minha ginecologista imaginando que ela pudesse “me empurrar” uma cesárea guela a baixo… qual não foi a minha surpresa. Algumas coisas foram me desencorajando e colocando a cesárea como uma possibilidade: bebê grande, duas voltas de cordão umbilical e dorso do bebê à direita, apesar de saber, por meio do que li na net, que nada disso era motivo para um parto cesárea.

Todo o meu planejamento de uma gravidez tranqüila foi interrompido por um acidente que sofri em casa: enfiei o pé em um buraco que estava tampado com uma cerâmica, cortei o pé, levei 8 agulhadas de anestesia, mais 17 pontos. Isso, com oito meses de gestação. Foram quinze dias sem conseguir abaixar o pé, carregando o barrigão pra cima e pra baixo. (relato). Tive que parar com a hidroginástica que tanto estava me fazendo bem, mas continuei com o acompanhamento da minha doula, mesmo com algumas restrições quanto a exercícios físicos.

Depois de voltar ao trabalho mancando e precisando do maridão pra tudo, no dia 12 de junho, uma amiga minha, que trabalha comigo em uma das faculdades onde leciono, fez uma cesariana eletiva. Ela estava com um mês e meio de gestação na minha frente. O bebê dela foi parar na uti, com suspeita de problemas no coração, ter contraído uma infecção ou problemas no pulmão. Nada confirmado pelos médicos. Quase duas semanas depois, ela perde o bebê. Os colegas da faculdade tentaram me esconder o problema, para me poupar, mas eu acabei sabendo pelos alunos, o que me deixou muito, mas muito triste. Entrei em luto, fiquei com mais medo ainda de acabar em uma cesariana eletiva, seja lá por qual motivo fosse…

 

O grande dia

Trabalhei até o dia 4 de julho, me arrastando de cansaço. Durante toda essa semana, fiquei pensando em finalizar meu trabalho de acompanhamento com a doula, fazendo uma sessão conjunta com o maridão, para prepará-lo para me acompanhar no parto. Eu estava cansada de andar de carro (ainda estava dirigindo…) e queria ficar mais em casa.

Na quarta-feira à tarde, senti uma dor que ainda não havia sentindo, bem entre a coxa e a virilha que me impedia de andar. Quando eu me levantava, dava aquela puxada e eu sentava de novo. Mesmo assim, me forcei a dar uma limpada aqui em casa porque o chão estava horroroso de sujo. Meu sobrinho de onze anos me ajudou. Na quinta-feira pela manhã, não dormi direito. Acordei às 5 horas e não preguei mais o olho. Peguei o carro e fui tomar café da manhã numa padaria aqui perto de casa, estava com vontade comer biscoito frito. Comprei uns pães e voltei pra casa. Minha diarista chegou e fui pra terapia com a Alessandra.

Geralmente, no acompanhamento com a Alessandra, estamos eu e a Manúcia. Nesse dia, seria só eu. Como sempre, cheguei e a Alessandra perguntou como eu estava, conversamos um pouco, falei sobre a conversa que tive com minha ginecologista um dia antes (ah, tive pré-natal na quarta… tudo tranquilo) a respeito do parto normal, que ela havia dito que gosta de fazer o parto normal o mais natural possível e que eu tava bem feliz com essa fala dela.

Começamos uns exercícios chineses e quando agacho para fazer um destes, sinto um tanto bom de líquido (nada demais, achei que fosse xixi), descer pela roupa. “Será xixi?”, pensei. Voltei a posição inicial e agachei de novo. Desceu de novo o líquido. “Alessandra, perai, vou ao banheiro, tá saindo líquido aqui…”.
Cheirei o líquido… não era cheiro de urina. Sai do banheiro. Alessandra: “É xixi mesmo?”. Eu: “Não é não…”

Dai ela parou tudo e falou que iria passar o documentário “O Sagrado”, que mostra duas mulheres em tp, bem tranquilas, mostra todo o parto e tal. Fizemos uma meditação. Ela leu uma oração para parto e eu estava tensa… E a Alessandra dançando de alegria. Ela: “Eu senti que você tava com a energia diferente hoje”. Eu havia dito que era por causa das férias… hehe.

Liguei pro meu marido. “Maykell, se arruma aí que a gente vai ter que ir na médica, minha bolsa estourou”. Ele: “Como você sabe?” Eu: “Maykell, eu sei!!!” Liguei pra ginecologista e ela mandou eu ir pra lá. Cheguei em casa, o Maykell, meu sobrinho Victor e a diarista Flávia me olharam apreensivos. Flávia: “Não tá com dor não, Rakell?” Eu: “Só um pouquinho”. Dai eu olhei pra todo mundo e falei… “Gente, relaxa…”. Tive que arrumar minha mala para levar para a maternidade. A do Dante tava pronta, mas a minha eu ia fazer esse fds… hehe.

Fui pra ginecologista. Ela fez o exame, constatou que era líquido aminiótico mesmo, daí fez o exame de toque e mais líquido, bem mais, desceu. 2 cm de dilatação. Eu estava apreensiva, feliz, com medo, um monte de sentimentos ao mesmo tempo. Afinal, não sabia o que vinha pela frente de verdade. Minha gine faz a guia de internação e me encaminha pra maternidade. “Não vou colocar o tipo de parto aqui porque a gente ainda não sabe, tá?!”. Eu… “Tá”.

Fui pra maternidade. As dores começaram a ficar um pouquinho mais fortes. Todo mundo me mandava sentar, mas eu queria ficar em pé, esticar, me movimentar. Pensei em voltar em casa, imaginando que ainda ia demorar muito. Mas como minha casa fica longe da maternidade e eu já tava sentindo um pouco de dor, resolvi ficar por lá mesmo. Almoçamos, eu comi bem pouco. Meu marido voltou em casa pra arrumar umas coisas.

Dr. Lucília (a gine) chegou, viu como eu estava, recomendou duas ultrassons, uma pra ver a questão do cordão umbilical, como estava a circulação, tinha duas voltas no pescoço com 32 semanas. Recomendou que eu fizesse com um ultrassonografista específico…. Ele me atendeu por volta das 17 horas quando as dores já estava bem mais fortes. Antes disso, umas quatro horas, a dra fez o exame de toque de novo. 2 cm… fiquei preocupada. O negócio não tava andando. Fui pra ultrassom com dores consideráveis. Não conseguia ficar sentada. Dava vontade de ir no banheiro toda hora fazer xixi. A cada contração, eu respirava e soltava o ar fazendo barulho. O médico: “Qtos centímetros de dilatação”. Eu: “dois”. Ele: “Dois? Com essa dor?… E parto normal?” Ai ai ai, pensei eu, vai começar…

Terminado os exames, volto pra maternidade que ficava do outro lado da rua. Tive que parar duas vezes por causa da dor… comecei a ficar meio desesperada, porque as dores não dava espaço de tempo. Vinha uma e ficava um tempão e mal dava um minuto e vinha outra. Não quis monitorar o tempo nem nada… Nem conseguia pensar direito. Quando a contração vinha, eu sentava no chão, e fazia posição de borboleta. Me remexia… A dor foi aumentando… Fui pro chuveiro… Eu estava cansada, com as pernas doendo… Saia do chuveiro e a dor aumentando…

A dra entrou e fez o toque de novo. 4 cm… Dor aumentando… Chuveiro… contrações seguidas, vinte minutos seguidas… Nessa hora eu já tava esmurrando as paredes ( na parede do banheiro, tinha uns azulejos soltos e eu deu um murro que quebrou o negocio…) e gritava: “A dor não pára, não pára, não pára….”; “Eu não tô aguentando isso… não vou aguentar… não vou conseguir…” Meu marido entra no banheiro e eu gritando de dor. Ele senta no chão e começa a orar… “Pai nosso…”; “Ave Maria…” (hoje morro de rir de lembrar). Eu: “Eu não vou conseguir Maykell, tá doendo muito (isso, beeeeeeeeeem alto, aos gritos, coitado do povo do hospital… acho que o setor inteiro onde fica a maternidade ouviu meus gritos” Maykell: “Vai sim, vc vai conseguir sim…” Eu: “Eu não quero mais Maykell, tá doendo demais, e ainda falta muito e o muito que falta vai doer bem mais, chama a dra, eu quero fazer uma cesariana”. Maykell: “Guenta mais um pouco bem, só mais uma pouco”. Saio do chuveiro, me abraço a ele, choro, dá vontade de vomitar, fico zonza… E começo a gritar: “eu não quero mais, não quero mais, não queeeero mais… choro…chama a médica, Maykell… eu não quero mais…”. Maykell vai e volta… “Ela tá vindo…”. A médica não chega… (Maykell falou que ia na médica, mas não foi pq não queria que eu fizesse a cesárea…)

Volto pro chuveiro e a dor aperta mais. Eu tinha contrações seguidas, não dava pra respirar nem pensar em nada que a Alessandra me ensinou… eu fiquei confusa… pensava o quanto ainda estava longe, pensava que com a cesárea em 50 min meu bebê estaria comigo, mas depois pensava no sofrimento do pós-parto, do povo me cortando, abrindo minha barriga… eu não sabia o que fazer… A dra veio me examinou… “Rakell, aguenta mais um pouco, você queria tanto um parto normal, tá dilatando… aguenta vai…” Eu pegava no braço dela e apertava: “Dra eu não to aguentando, eu não quero mais…” Me sacudindo na cama… “Eu não quero mais…” Ela: “Aguenta Rakell, quando vc tiver com seis centímetros eu te dou analgesia…”… pensei que aquilo ia demorar muito ainda… “Não, eu não quero, eu quero cesárea, eu não quero mais sentir essa dor…” Ela: “Tá bom, então vou ligar pro anestesista…” Ligaram… e eu urrando… e o anestesista nada… e eu urrando… “Cadê o anestesista Maykell?”… “Não sei Rakell, deve tá chegando…” E eu urrava, chorava… “Eu não quero mais, não quero mais… eu não aguento mais…” E a dor aumentando…

O anestesista chega e a dra fala que vai me dar uma analgesia. “Eu não quero mais…”… nessa hora eu pensei e falei… “Dra, seis centímetros daí vc me dá analgesia?” Ela: “Sim…” Eu: “Então tá…” Me colocam na maca, me levam pro centro cirúrgico. E eu urrando pelos corredores… Chegando lá, exame de toque… seis centímetros… Eu com medo da anestesia pq não conseguia ficar parada… dai o anestesista conversando comigo, tentando me acalmar, falando o que ia fazer… e eu pedindo pra ele esperar a contração passar, mas quem disse que a bendita passava. Me colocam na posição. Enfermeira segura minha pernas de uma lado, Maykell as costas e minha mão e colocam a anestesia… e eu urrando… Mas ainda eram 20 min pra anestesia começar a fazer efeito… a dra manda colocar ocitocina no soro… Eu: “Ocitocina?”… Ela: “É…- fala pra enfermeira – só uma ampola…”

A anestesia começa a fazer efeito e eu começo a respirar… mas continuava doendo, só de um lado (engraçado isso…) Marcos (apelidei-o de São Marcos, pq sem a analgesia eu não teria conseguido ir até o fim…) – o anestesista – “E aí, que nota vc dá? (Ele me perguntou o que eu fazia, sou professora universitária). Eu: “Nota 6,0″ – “Creeedo, exigente heim?!”. Eu: “Nota 10,0 é só quando é perfeito… e como não dá pra não sentir dor…” – Maykell – “Ih, essa daí é murrinha pra nota, coitado dos alunos dela…”

Isso já era quase 9 da noite… Marcos – “Rakell, vai andar vai, senão não vai abrir e o bebê nao nasce”. O Maykell pega o soro e começamos a andar. Na hora que vinha a contração, eu me acocorava… e assim ficamos quase uma hora até chegar a oito centímetros de dilatação. Detalhe a parte, aquele exame de toque é fudido demais… Cruzes credo.. eu tinha a impressão que a dra tava me abrindo no dedo… Começo a perder o ar de novo, sete centímetros, outra dose de anestesia… Mais uma hora, oito centímetros, mais uma dose de anestesia… Eles colocavam uma dose bem pequena do remédio (cloridrato de xilocaína), aos nove, última dose de anestesia.

A dor começou a aumentar, mesmo com a analgesia… entres os sete e nove centímetros, eu e o Maykell ficamos cada um de um lado da cama do centro cirúrgico, a cada contração eu acocorava e fazia força. O Maykell olhava pra mim e falava “Meu bem, tá acabando… daqui umas duas horas o Dante vai estar aqui… segura firme… to aqui do seu lado…” Sinto arrepios só de lembrar. Meu marido literalmente pariu junto comigo.

Outra coisa engraçada é que nesse lugar onde eu estava tinha mais dois centros cirúrgicos. Em um deles chegou uma mulher com cinco centímetros de dilatação, mas que preferiu fazer a cesárea porque não tava aguentando as dores… Se não fosse minha gine e o Maykell, eu estaria como ela… Dois dias depois, na hora que eu tava me aprontando pra ir embora, essa mulher chega e fala que o bebê dela estava na UTI, pq tinha nascido com desconforto respiratório… enfim…

Engraçado também foram outros médicos chegando, enfermeiras, e me vendo acocorada, fazendo força… um deles: “O que essa mulher tá fazendo?” Minha médica: “Tá fazendo umas posições que aprendeu com a doula dela… tá funcionando…” Minha medica me via naquela posição e falava: “Se ele nascer com você desse jeito, tá ótimo…” Pensei… “Esquenta não…rs” Nisso, eu ia fazendo os exercicios, o anestesista perguntando se funcionava… brincou que a doula é concorrente do anestesista… minha médica falando que Goiânia precisa de uma maternidade com mais estrutura… eu falando que vou comprar uma banheira de plastico pro meu próximo parto e começamos a conversar sobre parto humanizado…

A dor começa a apertar de novo… dos nove pros dez centímetros… exame de toque… Dra: “Dilatação total”… Começam a montar a cama… Eu: “Naaaaaaaaaaaao, eu não vou parir deitada naaaaaaaaao… me tiiiiiiiira daqui Maykell, me tira…” Consigo sair da cama, encontro um canto e sinto uma vontade “mais louca do mundo” de fazer força… o Dante entra no canal vaginal “sem dó nem piedade”… Nessa hora não tem anestesia, não tem nada… sou eu e ele… Acocoro… pego no Maykell “aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiii”… “Aaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiii”… Dra: “Força Rakell, força…” Agarro no pescoço do Maykell que tava em pé… “Aaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”… Menos de dois minutos… o Dante nasce… a dra coloca ele no chão forrado, começa aspirar… ele não chora de imediato… abre os olhinhos… Eu: “Chora bebê, chora pra mamãe vai… dra, pq ele não chora?…” Dra. “Calma Rakell, ele vai chorar…” Ele dá um chorinho mixuruuuca… a pediatra pega e começa a fazer os exames… eu me levanto… “Rakell, agora vc tem q deitar… cuidado q vc vai ficar tonta…” Eu vou pra maca e começa a sutura… agulhadas… aaaaaaaai… não fizeram episiotomia… Eu: “Dra, quantos pontos foram?” “Cinco pontos internos e três externos… mas isso não é nada, com a episio é bem pior… Colocam o Dante na minha barriga, tão lindinho, caaalmo… deitou o dormiu na barriga. Então a pediatra levou pra dar banho…

Fiquei um tempo no centro cirúrgico… todo mundo me dando os parabéns… meu marido morto, coitado… mas orgulhoso. Olha pra mim: “Cé é fodona heim…?” Eu começo a rir… “Não me faz rir ou, doi lá embaixo…” Demora um pouco até irmos pro quarto… depois trazem o Dante e eu tava morta, cansada, queria tomar banho mas pediram pra eu esperar umas seis horas, que era melhor… Eu passei a noite toda olhando pro Dante, com medo dele parar de respirar, essas coisas de mãe… Dessa experiência eu só tenho a agradecer ao meu esposo, que pariu junto comigo, à Alessandra, que me ensinou muito nos últimos meses, principalmente, a me tranquilizar e buscar uma força interior e aceitar o que eu não consigo fazer – como o parto sem analgesia, à minha ginecologista Lucília que não me deixou desistir do meu parto e me deixou agir da forma como achasse correta, e ao anestesista “São Marcos”, que com aquele “remedinho” me ajudou a colocar o Dante no mundo. Obrigada gente, muito mesmo.

Só mais uma coisinha… durante os dois dias que fiquei lá na maternidade, depois do parto, das várias enfermeiras que entraram no quarto, duas falaram assim… Uma veio me dar um remédio, eu virei, me levantei… “Eeeita, mas mamãe de parto normal é outra coisa né…”. No outro dia, outra enfermeira, com remédio… “E essa daqui é a mamãe mais boazinha de todas…” E eu fiquei morrendo de vergonha de todo mundo por causa do escândalo que eu fiz durante o tp (Um trabalho de parto extremo oposto ao do documentário “O Sagrado”, diga-se de passagem… mas como disse a auxiliar de serviços gerais da maternidade… “Faz parte!”.

10 Respostas para "“Eu pensei que não fosse conseguir”"

Nooossa! Eu imaginava que parto era realmente complicado, mas não sabia que era tanto!

Parece que estava vendo a cena Rakell. Seu relato foi maravilhoso e emocionante.

Parabéns!!! E muitas felicidades pra vc e sua família que agora é mais completa e feliz, com certeza.

Tô sem criatividade, vou ficar com a frase do seu marido:

“Cé é fodona, heim…?” [2]

Parabéns Rakell, como bem disse seu maridão:Cê eh fodona mesmo.

Rakell,
nossa… fiquei emocionada! risos
Você foi muito corajosa!
deve ser uma sensação muito maluca…
Fico feliz por vocês!!!
Muita saúde e paz para vocês!

Emocionante! E você até na hora de parir consegue ser engraçada! Parabéns!

Rakell, nunca duvidei da sua força e coragem. Já te falei que sou sua admiradora, você é incrível.
PARABÉNS a vc e ao Maykell pelo filhão.

que isso hein Rakell vc e uma guerreira..
minha mae sempre falava que parto normal era pra vaca rsrsrs
parabens pra voce e sua familia..

Rakell

Fiquei ansiosa e ri lendo seu relato. Acho que mais mulheres devem contar o que acontece, para que as próximas saibam realmente como as coisas funcionam. Acho que você foi muito corajosa em optar pelo parto normal. Afirmo todos os dias que quero normal também, mas depois desse relato, percebo que tem que ser “fodona” como seu marido disse pra conseguir. Mesmo assim, vou tentar, rsrsr.

Também me tranquilizei em saber que vc engordou bem nos primeiros meses, porque isso acontceu comigo também. Estou uma bolinha, enquanto muitas de oito meses tem a barriga do tamanho da minha (chatas que não comem doces!!!).

Parabéns pela descrição do seu parto, pela coragem e parabéns ao Maykell por ser tão companheiro nessa hora. Que o Dante ilumine muito sua vida. Agora, você já é uma mulher preparada pra fazer quantos doutorados quiser!!!

Beijos!!

Rakell,

O seu relato me fez rir, me fez visualizar as cenas, como num filminho, e me fez quase chorar no momento em que o Danthe nasce. Nao consegui despregar o olho da pagina. Historia emocionante. E engracado demais voce lembrar cada detalhezinho de todo o processo. E a frase do Maykell e perfeita. Voce e fodona mesmo! hahahaha.
Beijos pra voce e pra sua familia linda!!!

Ex-prof. … meu Deus, que sofrimento esse parto, ne? kkk
Dizem que na vida quanto maior o sofrimento, mas gostosa é a conquista! kkkk Fico feliz que esteja feliz.

Mas eu não encaro! kkkk
beijos beijos
Sarah Maia

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